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Dia Internacional da Mulher: Enfermagem luta por respeito e valorização

Desigualdades de gênero afetam diretamente a Enfermagem

06.03.2026

As desigualdades de gênero afetam diretamente a luta por respeito e valorização (foto: Outra Saúde)

O Dia Internacional da Mulher é uma data histórica de mobilização e luta por direitos civis e trabalhistas. A história da Enfermagem é marcada por pioneiras que transformaram o cuidado em uma profissão científica e participaram da construção do sistema de Saúde, de Anna Neri a Isabel dos Santos.

São mulheres que sistematizaram práticas, incorporaram evidências, estruturaram protocolos e consolidaram princípios éticos que elevaram a qualidade da assistência. Enfrentando barreiras sociais e institucionais, ampliaram espaços de atuação e lideraram movimentos por reconhecimento. As mulheres representam, ainda hoje, cerca de 85% dos profissionais de Enfermagem no Brasil.

As desigualdades de gênero afetam diretamente a luta por respeito e valorização. Há um abismo salarial entre homens e mulheres no Brasil, apesar da alta escolaridade feminina. O país tem muito mais mulheres (28,75%) com curso superior do que homens (17,3%). O rendimento mensal das mulheres, porém, é 37,5% menor. Os dados, do IBGE, revelam que a disparidade de gênero é ainda maior entre profissionais com nível universitário e persiste mesmo quando atuam na mesma área.

A Enfermagem conquistou uma vitória histórica, com o Piso Salarial Nacional. Sem correção, porém, o piso pode se tornar inócuo. O piso salarial da Enfermagem já perdeu, em três anos, mais de 20% do poder de compra. Previsto na PEC do Piso, o índice de correção salarial foi vetado pelo então presidente, Jair Bolsonaro. Em 17 de março, a categoria realiza, em Brasília, Marcha pela Valorização da Enfermagem, pressionando pela correção inflacionária do piso e sua vinculação à jornada de 30h.

Raça, gênero e desigualdades na Enfermagem

Na Enfermagem, profissão majoritariamente feminina (85%), a desigualdade se mantém. O Relógio dos Privilégios calculou o tempo necessário para alcançar os mesmos resultados salariais na Enfermagem, conforme o gênero e a raça dos trabalhadores. Para obter o mesmo rendimento de 30 horas de trabalho de uma mulher negra, homens brancos precisariam trabalhar 23 horas e 18 minutos. Mulheres brancas precisariam trabalhar 24 horas e 40 minutos. Homens negros, por sua vez, precisariam trabalhar 27 horas e 44 minutos para obter os mesmos rendimentos.

Precarização dos vínculos de trabalho

Mulheres negras possuem menor representação no mercado de trabalho formal (16,9%) e rendimentos mais baixos. A informalidade também afeta a Enfermagem, com a contratação de profissionais por meio de cooperativas, como subterfúgio para evitar o pagamento do piso. “Somente no estado do Ceará, 70% da força de trabalho da Enfermagem da na Secretaria de Saúde trabalham pelo vínculo de cooperativas. Essa é uma problemática também em outros estados”, recorda a conselheira Ana Paula Brandão, deputada federal pelo Ceará.

Enfermagem caminha com as mulheres

A Enfermagem continua presente nas grandes pautas da Saúde Coletiva, e caminha lado a lado com as mulheres brasileira na luta pela humanização do parto, redução da mortalidade materna e acesso a direitos sexuais e reprodutivos. O investimento em profissionais de Enfermagem obstétrica tem o potencial de salvar 4,3 milhões de vidas por ano até 2035, segundo estimativa do Relatório Mundial da Obstetrícia do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA/ONU). 

O manifesto Reforma Obstétrica no Brasil Já, lançado em 2025, reflete um amplo consenso sobre a necessidade de mudanças no modelo assistencial. A proposta foi elaborada com entidades comprometidas com a vida das mulheres, com apoio do Cofen. “Não é apenas uma proposta técnica. É um compromisso político. É dizer: nenhuma mulher deve morrer ao dar à luz. É enfrentar o racismo estrutural que atravessa a saúde pública. É garantir que as mulheres negras, indígenas, periféricas e do campo não sejam invisibilizadas no momento mais delicado de suas vidas”, afirma da deputada federal e enfermeira obstétrica Ana Paula Lima (SC), que apresentou a proposta ao ministro.

Fonte: Ascom/Cofen

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