“Fiquem em casa”, apela enfermeira infectada pelo coronavírus

Logo no início da pandemia, a Enfermeira Flávia Vecina foi surpreendida com um resultado positivo de exame da covid-19. Responsável pela coordenação de enfermagem das quatro UTIs do Hospital Pequeno Príncipe, maior hospital pediátrico do país, localizado em Curitiba, ela ficou em pânico, não só pelo medo de morrer, mas por não poder estar ao lado da sua equipe, composta por 250 profissionais de enfermagem, em um momento tão crítico.

“Era tudo novo, todo mundo ainda estava com muito medo, havia muito desconhecimento, os protocolos de atendimento ainda estavam sendo elaborados e eu precisava empoderar minha equipe para que eu não perdesse funcionários justamente nesse momento. Enquanto eu lutava para que tudo fosse organizado e corresse bem, eu peguei a covid-19 e precisei me afastar, e isso foi o que mais me doeu”, relembra Flávia.

Na época, ela ainda não tinha atendido nenhum caso confirmado da doença e, dentre os 250 da equipe, foi a única a testar positivo – o que a fez pensar que talvez não tivesse sido contaminada no trabalho. Mãe de dois filhos, mesmo com sintomas que não se agravaram, ela precisou ficar em casa por 14 dias, conforme é a recomendação nos protocolos.

Atualmente, Flávia já está na ativa novamente à frente da equipe. “É uma batalha! Mas já demos equipamentos para todos, já treinamos todo mundo, todo o planejamento está feito, agora estamos na fase de execução. O grupo sabe que eles têm suporte para o que precisarem e agora trabalham mais tranquilos e mais unidos, sabendo que se nos cuidarmos e seguimos tudo certinho, nós vamos vencer!”, afirma.

No entanto, ela sabe que não basta o cuidado dentro dos hospitais, os profissionais de saúde precisam também da colaboração da população. “Mesmo com os EPI e todo o cuidado, a gente precisa pegar um transporte público para ir trabalhar, por exemplo. Nós não podemos ficar em casa. Mas sair e correr o risco de ser infectado por pessoas que estão circulando de forma desnecessária, sem respeitar o isolamento social, causa uma revolta. Por isso, pedimos que as pessoas fiquem em casa”, diz Flávia.

Além do pedido para que as pessoas fiquem em casa, a enfermeira também reforça: “A principal lição que eu gostaria que as pessoas tirassem disso tudo são os cuidados com a higiene. Eles devem ser mantidos, mesmo após a pandemia”. Ela destaca as ações de lavagem frequente das mãos, o uso do álcool em gel e o cuidado ao tocar mucosas antes da higienização das mãos, que não devem nunca ser deixadas de lado.

CASOS – Até o último boletim informativo, divulgado no dia 23 de junho, o Complexo Pequeno Príncipe atendeu 188 casos suspeitos do novo coronavírus, 16 foram confirmados e dois foram a óbito. No Paraná, de acordo com informe da Secretaria estadual da Saúde também do dia 23, são 15.673 casos e 487 óbitos pela covid-19.

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